Drummond era um sábio.
Com esse trecho final do poema Sentimento do Mundo, vislumbro o momento político e suas repercussões.
O grito de guerra, o desejo de mudança, o oportunismo sem escrúpulos... Tudo fundido na mesma receita, na qual a boa e a má-fé se revelam sem se chocar, posto que a segunda está "bem" disfarçada.
O que esperar do futuro? É aceitável que o medo impeça a mudança?
Sinceramente, meu desejo é de que tudo seja alterado. Não apenas nomes e partidos, mas tudo mesmo, pois toda a massa se estragou.
É impossível continuar com a mesma desfaçatez, bem como será loucura revolucionar apenas na superfície.
Em outro poema, o mineiro de Itabira pergunta se de fato o Brasil e os brasileiros existem... Uma indagação feita na primeira metade do século passado, a demonstrar que há décadas (ou seriam séculos?) vigora a impressão de que vivemos num país de ficção, de costas para a lógica e o bom senso.
Tornar-se um povo de verdade, em um país real, requer muito mais do que o óbvio. Exige ir além das paixões e preconceitos, pensar sem amarras ideológicas, o que implica estar disposto a mudar radicalmente e atingir a estrutura.
É preciso distinguir as vozes que gritam pela mudança real daquelas que desejam tão somente restabelecer privilégios indevidos. Na selva das ruas, existem as hienas, vorazes e famintas, querendo refestelar-se com os despojos da batalha.
Que as vozes bem intencionadas não sirvam apenas para aumentar o banquete!
Que beleza! Quem é do ofício não o abandona, muito bom encontrar seus textos Ricardo.
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