Estou há uma semana em Salvador, sozinho, na Pituba, a 800 metros do mar que vislumbro da varanda do apartamento.
Estar nessa bela cidade, onde permanecerei nos próximos quatro meses, é um privilégio, mas isso não torna menos dolorosa a distância. A tristeza muitas vezes me visita, castigando a quem se acostumou a estar perto dos seus, a ponto até perder a noção de como isso é fundamental em nossa vida.
Acostumei-me à zona de conforto. Aos 41 anos, percebo que pouquíssimas vezes me afastei dela, e por isso hoje sofro mais. Sinto-me como em um exílio, mas estou me habituando.
Há coisas boas.
Circulo por Salvador e descubro a cidade na qual estive tantas vezes, mas sem conhecê-la como agora. Com todas as suas belezas e disparidades. Com a visão belíssima do Solar do Unhão e a feiura da Barros Reis cercada por favelas. Do prazer da corrida da Pituba até o final da praia de Amaralina ao assédio de viciados nas ruas e pontos de ônibus.
Cores de uma cidade linda. Dores de uma cidade grande.
Tive uma experiência fantástica no domingo, em meu terceiro dia aqui. Já sozinho, após uma despedida dolorosa, fui à Igreja de São Francisco, com todo o seu impressionante exagero barroco, e me deparei com uma apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia. Incrível.
Nesse clima, acabei ressuscitando o poeta e brotaram esses versos:
a tristeza em que eu ando
vem de não saber
de te ver não sei quando
é estar só pela metade
e o vazio que sinto
dói do tamanho da saudade
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